terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Garoto negro é expulso de restaurante por ser confundido como mendigo!!!

Negar o racismo no Brasil é se esquivar do problema



Texto de Mário Sérgio em Luis Nassif Online

Com a arrogância típica de ignorantes, o gerente admitiu que teria sido ele mesmo o autor de tal atitude racista
Negar o racismo no Brasil é se esquivar do problema !!!

Neste final de ano pude testemunhar e viver a vergonha dessa praga do rascismo aqui em nossa multicultural São Paulo. E com pessoas próximas e queridas. Não dá para ficar calado e deixar apenas o inquérito policial que abrimos tomar conta dos desdobramentos desse episódio lamentável e sórdido.



Na sexta feira, 30, nossos primos, espanhóis, e seu pequeno filho de 6 anos foram a um restaurante, no bairro Paraíso (ironia?) para almoçar. O garoto quis esperar na mesa, sentado, enquanto os pais faziam os pratos no buffet, a alguns metros de distância. A mãe, entre uma colherada e outra, olhava para o pequeno que esperava na mesa. De repente, ao olhar de novo, o menino não mais estava lá. Tinha sumido.



Preocupada, deixou tudo e passou a procurá-lo ao redor. Ao perguntar aos outros frequentadores, soube que o menino havia sido retirado do restaurante por um funcionário de lá. Desesperada, foi para a rua e encontrou-o encolhido e chorando num canto. Perguntado (em catalão, sua língua) disse que "o senhor pegou-me pelo braço e me jogou aqui fora".



O casal e a criança voltaram para o apartamento de minha sogra e contaram o ocorrido. Minha sogra que é freguesa do restaurante, revoltada, voltou com eles para lá. Depois de tergiversações, tentativas de uma funcinária em pôr panos quentes, enfim o tal sujeito (gerente?) identificou-se e com a arrogância típica de ignorantes, disse que teria sido ele mesmo a cometer o descalabro. Mas era um engano, mas plenamente justificável porque crianças pedintes da feira costumavam pedir coisas lá e incomodar. E que ele era bom e até os alimentava de vez em quando. Nem sequer pediu desculpas terminando por dizer que se eles quisessem se queixar que fossem à delegacia.



Minha sogra ligou-me e, de fato, fomos à delegacia do bairro e fizemos boletim de ocorrência. O atendimento da delegada de plantão foi digno e correto. Lavrou o BO e abriu inquérito. Terminou pedindo desculpas e que meus primos não levem uma impressão ruim do Brasil.

"Essa reportagem foi em São Paulo, mas poderia facilmente acontecer em qualquer lugar do Brasil!!!"

reportagem publicada  pelo site pragmatismo politico.

Um comentário:

  1. Célia Regina Cerqueira de Souza3 de janeiro de 2012 17:46

    Cenas como estas marcam para sempre uma pessoa.
    Uma vez, há mais ou menos 5 anos atrás, fui numa pequena loja de chineses no Corredor da Vitória, enquanto minha colega tirava algumas cópias de um trabalho (para um curso que fazíamos num hotel ali perto, eu escolhia uns cartões de Natal para comprar. A dona do estabelecimento ficou desconfiada de mim epegou um cachorrinho daquela raça minúscula e colocou no balcão. Um outro chinês mais velho também veio olhar, mas não parecia tão desconfiado quanto ela.
    Me senti tão mal! Naquela época nem me toquei que poderia chamar a polícia e mostrar que eu é que estava sendo vítima de discriminação, por ser negra (com cabelos trançados) e pegando cartões para comprar como realmente os comprei e paguei pelos mesmos. Esperei por minha colega e voltamos para o nosso curso, conversando sobre o fato ocorrido.

    Nunca esqueci aquele momento de desconforto; como certamente a família acima citada não esquecerá.

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